O menino estava sentado na cama do hospital. Havia desistido fazia algum tempo de qualquer tentativa de se mexer. Seus olhos permaneciam abertos apenas por puro medo de adormecer; a visão estava turva, e seus pensamentos, focados em algo completamente distante. Ele sentiu um incômodo em uma das pernas, mas já se tornara normal. Respirou fundo, e não pôde deixar de lembrar dela ao fazer aquilo. Devia ser madrugada, já. De repente, o garoto sentiu sede. Tentou erguer o braço para pressionar o botão que chamava a enfermeira, mas desistiu no meio do caminho. Estava morto. Não importava o que fizesse, estava morto. Mas não podia ser assim. Tinha que aguentar até o amanhecer. Não tinha se despedido, não tinha dito adeus a ela. De alguma forma, seus fracos batimentos conseguiram se acelerar. Lembrou-se de seu cabelo curto, do sorriso e de como ela sempre andava meio recurvada por causa do cilindro. Foi a vez dele perder o ar. Ironicamente, Augustus Walters foi o primeiro a parar de respirar. Pensou na possibilidade de uma existência após a morte sem ela. Em seguida, começou a roncar. Caiu num sono profundo por algumas horas. Ela apareceu com um vestido. O cabelo curto, o sorriso, recurvada pelo cilindro. Augustus sorriu, enquanto ela o abraçava. Ele teve a impressão de ter ouvido um dos aparelhos apitando ao seu lado enquanto tudo desaparecia. Continuou abraçado e não abriu os olhos. Nunca mais.

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kallielef:

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“Homossexualidade e heterossexualidade são como sutiã e biquini, exatamente a mesma coisa, mas um é aceito em público e o outro não.”


Katniss Everdeen in the Capitol